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A IA que entende o pedido do jeito que o mecânico manda
O pedido de peça não chega organizado. Chega com erro de digitação, com apelido regional, sem pontuação, com o carro no meio da frase, em áudio gravado no meio do serviço, e quase sempre com uma informação faltando. Uma ferramenta que só funciona com a pergunta perfeita falha no primeiro cliente real — e é por isso que entender o pedido é uma capacidade, não um detalhe.
Como o pedido chega de verdade
Vale começar pelo que se vê no dia a dia, porque a demonstração de qualquer ferramenta é sempre feita com a frase perfeita.
O pedido real vem assim: “amorteceor da frente do gol g5 2010”, tudo junto, com erro, com o carro colado na peça. Ou “aquela bomba do corsinha”, sem ano e sem qual bomba. Ou um áudio de doze segundos com barulho de compressor no fundo, gravado com a mão suja no meio do serviço.
Vem também em pedaços: primeiro a peça, depois o carro, depois “ah, é o 1.0”. E vem com pedido múltiplo na mesma frase — quatro peças de uma vez, uma delas vaga.
Uma ferramenta que precisa do nome técnico correto para funcionar não está resolvendo o problema; está transferindo o problema para o cliente.
O que a IA precisa fazer com isso
Entender o pedido é um conjunto de capacidades específicas, e dá para verificar cada uma.
Corrigir o nome do carro. “Corola”, “gol g5”, “hb20” têm que virar o veículo do catálogo, com o ano.
Separar peça de veículo na mesma frase. O cliente não usa vírgula; o sistema precisa saber onde termina a peça e onde começa o carro.
Entender áudio. Não como recurso extra: para boa parte dos mecânicos é o canal principal. E se ele mandou voz, a pergunta que trava a cotação precisa voltar em voz — ele não vai parar o serviço para ler.
Lidar com pedido múltiplo sem perder item. Quando ele pede quatro peças e uma está vaga, a vaga vira pergunta — nunca some calada. Pedir quatro e receber três, sem ninguém comentar a quarta, é como se perde confiança.
Manter o contexto certo entre mensagens. O carro se herda para as próximas peças; a posição não. “Disco dianteiro esquerdo” não pode contaminar o próximo item, porque o eixo e o lado morrem quando a peça muda.
E não repetir pergunta já respondida. Pergunta que volta pela terceira vez é o jeito mais rápido de matar uma cotação viva.
- Corrige o nome do carro escrito errado
- Separa peça e veículo numa frase sem pontuação
- Entende áudio — e responde em áudio quando o pedido veio em áudio
- Pedido múltiplo: item vago vira pergunta, nunca desaparece
- Carro se herda entre peças; eixo e lado, não
- Não repete pergunta que já foi respondida
As confusões de vocabulário que custam venda
Algumas confusões aparecem toda semana no balcão, e é nelas que uma ferramenta se prova.
Filtro de ar do motor e de cabine são peças diferentes com quase o mesmo nome — e a troca acontece nos dois sentidos.
“Jogo de velas” é vela, e “kit” não é o item avulso: a embalagem entra no pedido e confunde quem só lê o texto.
“Limpa radiador” não é radiador, e “aditivo de freio” não é freio — consumível não é a peça que leva o nome dele.
E nem toda frase que cita uma peça é um pedido: “tira o filtro do orçamento” está pedindo o contrário. Quem não percebe isso vê o orçamento crescer com o item que o cliente acabou de recusar.
Para dar ideia do tamanho da ambiguidade: num catálogo de 23.602 itens que medimos, pedir “amortecedor” cobre 5.148 peças distribuídas em 4 famílias diferentes.
Como testar isso antes de contratar qualquer ferramenta
Vale para a Unred e para qualquer concorrente. Peça uma demonstração e não escreva bonito.
Escreva com erro de digitação, sem pontuação, com o carro no meio da frase. Mande um áudio falando rápido. Peça quatro peças de uma vez, sendo uma delas vaga — só “suspensão”, por exemplo. Depois mude de carro no meio da conversa e veja se o sistema carrega o carro antigo por engano.
E, principalmente, peça uma peça que não exista para aquele carro. O que a ferramenta faz nesse momento diz mais sobre ela do que a página inteira de recursos: ou ela assume que não achou, ou ela te oferece a mais parecida — e a segunda é a que gera troca, frete de volta e cliente queimado.
- Escreva errado e sem pontuação, de propósito
- Mande áudio, não só texto
- Peça várias peças de uma vez, com uma delas vaga
- Troque de carro no meio da conversa
- Peça algo que não existe e veja se ela assume ou se ela chuta
Perguntas frequentes
A IA entende quando o cliente escreve o nome da peça errado?
Precisa entender, porque é o normal e não a exceção. No balcão ninguém escreve nome técnico: escreve com erro, abrevia e usa apelido regional. O nome do carro escrito errado também é corrigido antes da busca.
E se o pedido vier por áudio?
O áudio é transcrito e tratado como qualquer pedido. Para boa parte dos mecânicos ele é o canal principal, não um extra. E quando o pedido veio em áudio, a pergunta que trava a cotação também volta em áudio — ele não vai parar o serviço para ler.
O que acontece se eu pedir quatro peças de uma vez?
As quatro são tratadas. Se uma delas estiver vaga — “suspensão”, sem dizer o quê —, ela vira uma pergunta em vez de ser descartada em silêncio. Pedir quatro e receber três sem ninguém comentar a quarta é uma das formas mais rápidas de perder confiança.
Se eu mudar de carro no meio da conversa, ela se perde?
Não deve. O carro é o contexto que se mantém entre as peças seguintes; já o eixo e o lado não se herdam, porque morrem quando a peça muda. Um “disco dianteiro esquerdo” não pode contaminar o próximo item da lista.
Como eu testo se a IA de uma ferramenta entende de verdade?
Escreva como seu cliente escreve — com erro, sem pontuação, com o carro no meio da frase —, mande um áudio, peça várias peças de uma vez com uma delas vaga, e troque de carro no meio. Por último, peça uma peça que não existe para aquele carro: se a ferramenta oferecer a mais parecida em vez de assumir que não achou, é ali que vão nascer suas trocas.